quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

As Nossas Escolhas de Domingo

“Querida, em qual igreja iremos hoje?”. Esse diálogo tem se tornado comum antes da família sair para o culto no final de semana. Faz-se uma rápida avaliação do sermão do domingo anterior e também do momento de adoração e rapidamente chega-se a conclusão: é melhor buscar uma outra opção, uma nova comunidade. Afinal, a família não se sentiu satisfeita e decide encontrar outro local, já que as opções na cidade onde vivem são as mais diversas. Encontrarão igrejas tradicionais, com forte ênfase na ministração da Palavra e numa liturgia mais formal. Se desejarem, também poderão optar por comunidades emergentes, contextuais e que não estão presas a tantos formalismos. Com facilidade acharão algumas igrejas que, por seu número grande de frequentadores, entrarão e sairão sem ser notados, o que, para alguns, é excelente.

Para completar essa lista de escolhas, esse menu contempla lugares onde apenas ouvirão alguns recados para lhes dar um novo ânimo para a semana que vai começar. Uma palestra que abordará algo que funcionará como um tranquilizante psicótico. Basta escolher. Opções não faltam.

É importante lembrar que nem sempre foi assim. Trata-se de um fenômeno relativamente recente. Nossa história de protestantismo brasileiro tem pouco mais de 150 anos, mesmo tendo acontecido incursões missionárias em terras brasileiras bem antes disso. Sempre fomos considerados minoria. E uma minoria que foi estigmatizada e até mesmo perseguida. A partir da década de 80 teve início um processo de crescimento numérico inusitado dos evangélicos brasileiros. Como resultado, proliferou-se a plantação de novas igrejas, especialmente nas grandes metrópoles e cidades do interior de nossos estados. O resultado é que hoje devemos ter mais de 200.000 templos evangélicos no Brasil.

Tornou-se comum encontrar várias igrejas evangélicas próximas uma das outras, as vezes numa mesma quadra. Resultado: nos tornamos um povo nômade, sem igreja fixa e consequentemente promotores daquilo que poderíamos chamar da anti-missão de Deus.

A plantação de novas igrejas deveria sempre passar pela visão daquele que compreendeu claramente a missão: “sempre fiz questão de pregar o evangelho onde Cristo ainda não era conhecido, de forma que não estivesse edificando sobre alicerce de outro.” (Rom.15:20).

Essa passagem bíblica usualmente é compreendida como estratégia missionária. Concordo, em parte. Ela fala muito mais sobre um dos valores do Reino de Deus: justiça. É justo oferecermos a possibilidade a muitos hoje de escolherem a qual igreja ir enquanto outros, também criados à imagem e semelhança de Deus, não tem nenhuma comunidade cristã ao redor deles?

Dando uma palestra recentemente em uma das grandes capitais do Brasil, passei de relance nesse assunto. Uma das pessoas que me ouvia, surpreendentemente, me interrompeu e bradou em alta voz: “Isso não é justo!”. Tive que parar o meu discurso, pois aquele homem foi tomado por uma santa indignação e continuou a exclamar a mesma frase várias vezes.

A missão que Deus colocou em nossas mãos passa obrigatoriamente em alcançar os pobres, os excluídos, os perseguidos, os injustiçados e tantos outros que hoje vivem em cidades do mundo sem a esperança de uma vida digna e eterna em Cristo. Essa missão tem a tarefa de incluir aqueles que hoje não tem escolhas de qual igreja devem ir no próximo final de semana, pois elas simplesmente inexistem.

Antes de buscar as estratégias corretas na plantação de novas igrejas avalie se é justo as escolhas de domingo de tantos cristãos brasileiros. Lembre-se que alguém, em algum lugar, ainda está sem uma igreja acessível e, portanto, sem nenhuma escolha a fazer.

Ir à igreja, uma influência muito positiva sobre você e sua família.

Embora o número de decepcionados e desagregados tenham crescido nos últimos anos, é altamente improvável que alguém encontre coerência na vida espiritual no labirinto da vida pós-moderna sem o envolvimento com uma igreja cristã saudável. Embora experiências pessoais de Deus e orações solitárias sejam válidas, o movimento em direção a integridade espiritual requer sabedoria, relacionamentos e apoio de uma sólida comunidade da fé. Numa pesquisa inédita, o Instituto de Pesquisa de Religião e Casamento*, demonstrou vários benefícios e consequências positivas que a participação regular e semanal na igreja trás para todas as grandes áreas da vida: família, casamento, educação, renda e ação social. Faz bem ir a uma boa igreja, incluindo o aumento de aprovação nos estudos, sexualidade mais sadia, fortalecimento dos laços familiares, bem-estar psicológico e uma redução significativa de vários problemas sociais. Por exemplo, os adolescentes que regularmente frequentam cultos são mais propensos a assumirem compromissos e cumpri-los, fazendo isso como resultado da fidelidade às suas crenças.  Abaixo alguns gráficos que descrevem o panorama entre os membros nos seus vários níveis de frequência.

O desenvolvimento social das crianças é melhor quando participam mais regularmente na igreja:


Pessoas mais felizes no casamento participaram mais da igreja na adolescência:

A qualidade do relacionamento entre pais e filhos é melhor:


Estudantes que participam regularmente da igreja receberam mais “nota 10” na escola (equivalente a 1º e 2ograu no Brasil):

A porcentagem dos adultos que frequentavam a igreja durante a adolescência e que continuam participando nos cultos é duas vezes maior:
A porcentagem de adultos que contribuem para atividades beneficentes é maior dependendo de sua participação da igreja na adolescência:


Uma igreja saudável teu um grande potencial oferecer ao mundo os valores do reino. Richard Foster define brilhantemente igreja como “Comunidade de amor e aceitação. Alianças de liberdade e libertação. Centros de esperança e visão. Sociedades de edificação e prestação de contas. Pequenos bolsões de vida e luz tão impressionantes que o mundo, quando os vir, vai se admirar: ‘Vejam como eles amam uns aos outros! ’” 
** A igreja é como o trailer (preview) de um filme. É o filme da vida porvir sob a liderança de Jesus Cristo; prognosticado na Nova Jerusalém, aperitivo do banquete espiritual (Missional). Encontre-se com Deus, viva em comunhão com irmãos e irmãs. Participe regularmente de uma boa igreja e sinta a diferença.

Pr. Rubens Mazio

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Felicidade conjugal não é um acidente

Cinco decisões que podem estabelecer sua felicidade conjugal e familiar

Um homem não está acabado quando enfrenta a derrota. Ele está acabado quando desiste. (Richard Nixon)

Você já ouviu a famosa frase “por que facilitar se eu posso complicar?”. É impressionante, mas há pessoas que pensam que essa é uma atitude que se possa adotar nos relacionamentos pessoais, e elas agem assim no seu dia a dia. Não entrarei nos detalhes que fazem algumas pessoas serem assim, mas quero indicar uma reflexão que deve ser feita quando pensamos no quanto podemos ajudar aos outros com simples gestos. Claro que eu poderia mencionar diversas passagens da Bíblia, mas optei por uma só que está na oração do Pai Nosso: “Perdoa-nos assim como…”. Medite no “assim como”. Assim como perdoamos, somos perdoados; se não perdoamos, não somos perdoados.

Deus nos ama e sempre quer o melhor para nós, porém ele estabelece suas próprias leis. “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7b). Por isso as Escrituras nos aconselham a ser sempre misericordiosos (Tg 2.13). Jesus nos disse: “Com a medida com que medirdes vos medirão a vós, e ser-vos-á ainda acrescentada” (Mc 4.24). Vamos optar por semear misericórdia em nossa casa, para colhermos misericórdia mais adiante; vamos plantar tolerância, para que não sejamos maltratados quando errarmos; vamos semear simpatia e colher o amor que tanto desejamos.

Portanto, a segunda decisão que deve ser estabelecida no seu relacionamento conjugal e familiar para buscar a felicidade no seu lar é: “Decida ser um facilitador”. Seja um facilitador ou uma facilitadora para a vida dos que vivem com você.

A Bíblia diz em Lucas 15.20: “Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se ao seu pescoço e o beijou”.

Veja como esse pai impressiona por sua atitude generosa. A tradição judaica nos tempos de Jesus dizia ser indigno a um senhor correr publicamente. Eles cultivavam a serenidade e a tranquilidade, e a impressão causada por ver um idoso correndo era inadequada. Mas quando o pai, já idoso, viu seu filho aproximando-se de casa, ele saiu correndo a encontrar o jovem a fim de facilitar a sua aproximação. E não foi só isso o que aconteceu.

Primeiro, quando o filho voltava para casa, o pai, que estava ao redor da propriedade, avistou-o e não deixou que ele voltasse sozinho. Correu ao seu encontro e facilitou a volta para a reconciliação.

O irmão mais velho estava do lado de fora da casa e não quis entrar. Ele também não teve interesse, mais à frente, de participar da festa que foi promovida para celebrar o retorno do irmão mais novo. Quem, então, foi conversar com aquele irmão mais velho que estava em crise? O empregado? Não! O tio? Não! A tia? Não! O avô? Não! O pai foi, pois esse pai era um facilitador.

Seja um facilitador dentro da sua família. Seja uma mãe facilitadora, seja um pai facilitador, seja uma filha ou um filho facilitador. Seja um genro facilitador. Seja uma nora facilitadora. Mas faça disso uma atitude sua, pessoal: você deve ser e não apenas ter uma ou outra atitude facilitadora. Faça disso uma disposição interior, uma maneira de agir voluntariosa, espontânea. Tome isso como uma meta e implante no seu coração essa virtude que deve ser cultivada, preservada e mantida.

Seja um facilitador do diálogo na sua casa. Sempre há alguém disposto a desculpar-se, rever os erros, recompor uma situação de crise, mas uma postura inflexível impede o diálogo e a aproximação. Do contrário, quando as pessoas sabem que somos facilitadores, elas são encorajadas, a aproximação e a reconciliação são promovidas e o ambiente se renova. Mas isso não acontece se não houver quem facilite as coisas. Seja você a pessoa por onde essa mudança entrará em sua família, em sua casa, no seu casamento.

Seja um facilitador das soluções que precisam acontecer. Seja você um facilitador do perdão na família. Seja um facilitador que colocará as coisas complicadas no seu devido lugar: fora do seu ambiente conjugal, longe do seu ambiente familiar. Assuma a disposição de facilitar o relacionamento, e a felicidade irá aproximar-se de você e da sua família.

Não atrapalhe: ajude. Não seja uma pedra de tropeço que derruba pessoas próximas. Seja uma ponte e construa acessos para ligar pessoas distantes. Viabilize soluções, renove a sua mente e seja criativo. Se não puder ajudar, não atrapalhe, mas procure ser um facilitador. Pense de maneira diferente, como Paulo diz que devemos pensar: “… sede transformados pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

Fazendo isso, você ajudará na reconstrução de relacionamentos e no processo de restauração das relações quebradas, facilitando o encontro de quem está distante e promovendo o banquete para que dois possam sentar-se juntos na presença de Deus. E Deus reconstruirá o que foi destruído.

Acredito em ações como essa e as tenho ensinado aos casais que aconselho, aos ouvintes que participam de nossos encontros e palestras, e sabemos o resultado que vem do comprometimento com passos dados nesse sentido. Não há nada de fantasioso nem excessivamente exigente; são passos simples, que podem encontrar resistência não no modo de realizar, mas na disposição do coração, pois exigem que cada um baixe suas defesas, guarde suas armas e incline o coração para uma atitude de renovação e humildade diante de uma causa maior – aliás, duas: o estabelecimento da vontade de Deus no seu lar e o amor dentro da sua família.

Pr. Josué Gonçalves

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Tudo posso naquele que me fortalece

É muito fácil entender mal um versículo assim. O lemos e imediatamente pensamos em centenas de coisas que não conseguimos fazer. No mundo físico, por exemplo, pensamos em alguma acrobacia ridícula que exigiria poderes sobre-humanos. Ou pensamos em alguma grande proeza mental que está muito além de nós. Então estas palavras se tornam uma tortura para nós, ao invés de um conforto.
O que o versículo na verdade quer dizer, claro, é que o Senhor nos dará poder para fazer qualquer coisa que Ele queira que façamos. Dentro do círculo da Sua vontade não há impossibilidades.
Pedro sabia deste segredo. Ele sabia que, por si só, não poderia andar sobre as águas. Porém, também sabia que se o Senhor lhe havia dito para fazê-lo, ele conseguiria. Assim que Jesus disse “Venha”, Pedro saiu do barco e caminhou sobre as águas até Ele.
Normalmente uma montanha não vai se lançar ao mar ao meu comando. No entanto, se esta montanha estiver entre mim e o cumprimento da vontade de Deus, então posso dizer “Saia do caminho” e ela o fará.
O ponto central é que “Sua vontade é Sua capacidade”. Portanto, Ele proverá a força para enfrentarmos qualquer desafio. Ele me capacitará para resistir a cada tentação e vencer cada hábito. Ele me fortalecerá para ter uma vida de pensamentos limpos, motivos puros e para sempre fazer aquilo que agrada ao Seu coração.
Se não tenho forças para fazer algo, se me vejo ameaçado por um colapso físico, mental ou emocional, então eu talvez deva questionar-me se por acaso entendi mal Sua vontade e estou seguindo meus próprios desejos. É possível fazer para Deus o que não é de Deus. Tais obras não carregam a promessa do Seu poder.

Por isso é importante saber que estamos seguindo a corrente do Seu plano. Então podemos ter a alegre certeza de que Sua graça irá nos sustentar e capacitar.
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O que Jesus não carregou na cruz

“Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido” (Is 53.4).

Há algum tempo li numa revista o relato sobre um casal da Filadélfia (EUA) que confiou na cura pela fé: “Seu filho faleceu sem ajuda médica”. A justiça considerou os pais culpados de homicídio por imprudência. Um leitor comentou:
No movimento pentecostal mundial existem muitas igrejas que pregam doutrinas semelhantes às da “Igreja do Evangelho do Primeiro Século” da Filadélfia (a igreja do casal citado), ensinando que “doenças estão relacionadas à falta de fé e são sempre do Diabo”. Essa doutrina é falsa e irresponsável. Pode ser, sim, que Deus permita ou queira que um cristão morra de alguma enfermidade. (...) Quem sempre fica falando de cura e é incapaz de curar, deveria mandar os membros da sua igreja ao melhor médico que conhece.1
O Senhor Jesus não carregou nossas enfermidades na cruz. Que argumentos existem para embasar uma afirmação tão “ousada”?

1. Os resultados
Se Jesus tivesse carregado nossas enfermidades na cruz, os resultados deveriam ser obrigatoriamente os mesmos da salvação. Mas não é o que acontece. Quando alguém se converte a Jesus, a conseqüência direta é o perdão pleno de todos os seus pecados, recebendo imediatamente o Espírito Santo e nascendo de novo – sua alma e seu espírito ficam curados. Mas seu corpo também é curado imediatamente? E é sempre curado? Não! Exceções confirmam a regra, mas Deus é soberano, e graças a Ele por isso – mas por que uma pessoa não fica curada sempre, mesmo tendo sido salva? Porque a carne não pode ser salva e por continuarmos vivendo em um corpo pecaminoso, suscetível a todo tipo de doença.

2. A própria Palavra de Deus explica
Mateus 8 descreve o Senhor curando um leproso. Depois Ele cura o servo de um centurião romano de Cafarnaum. Aí vem a cura da sogra de Pedro. E nesse contexto está escrito:“Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu os demônios e curou todos os que estavam doentes; para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: Ele tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças” (Mt 8.16-17). Assim, Jesus cumpriu a profecia de Isaías 53 ainda antes de Sua crucificação, durante Sua vida e Seu ministério terrenos, quando curou muitos dos Seus compatriotas judeus, compadeceu-se deles, tomou sobre Si as suas dores e sarou-os. Ele sofreu com seus sofrimentos, teve compaixão deles e carregou suas fraquezas e doenças. Essa profecia foi cumprida, primordialmente, em Israel e com relação a Israel, e foi uma prévia do futuro reino messiânico.

No Novo Testamento, sempre que lemos que algo foi cumprido, isso significa completa e plenamente, sem necessidade de um cumprimento posterior ou final. Vejamos alguns exemplos do Evangelho de Mateus, onde, a cada evento, está escrito “para que se cumprisse”:
Mateus 1.22-23: o nascimento virginal.
Mateus 2.15,17-18,23: a fuga para o Egito, a matança dos inocentes em Belém e Jesus ser chamado de Nazareno.
Mateus 4.14-16: a profecia sobre Zebulom, Naftali e a Galiléia dos gentios.
Mateus 13.14-15,35: a cegueira dos fariseus e o falar em parábolas.
Mateus 21.4-5: a entrada triunfal em Jerusalém, montado em um jumento.
Mateus 27.9-10: a traição por trinta moedas de prata e a compra do campo do oleiro.
“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Is 53.6).

Todas essas profecias não terão um cumprimento futuro, uma vez que já estão cumpridas. A exatidão da Bíblia a respeito fica evidente no dia de Pentecostes. Quando este aconteceu, não está escrito que era o cumprimento da profecia de Joel,“mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei o meu Espírito sobre toda carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão” (At 2.16-17). Por que Pedro não usa a palavra “cumpriu”? Porque Pentecostes ainda não era o cumprimento definitivo e final dessa profecia de Joel. Ela ainda está em aberto e espera seu cumprimento final, que se dará quando Jesus voltar. É o que vemos também em João 19.36-37: “E isto aconteceu para se cumprir a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado. E outra vez diz a Escritura: Eles verão aquele a quem traspassaram”. No versículo 36 a Escritura está cumprida; no versículo 37 ainda não, uma vez que essa parte é futura, o que explica a diferença na afirmação.

Essa análise do assunto é muito importante, para que classifiquemos as afirmações da Escritura da maneira correta, sem forçar seu conteúdo e seu contexto e para que não sejamos insensatos ou nos fixemos em algo sem sustentação bíblica e que acabará por nos deixar frustrados. Tantos vivem um cristianismo tenso porque são levados a crer que precisam ser curados de qualquer maneira. Dessa forma, muitos enfrentam os maiores problemas quando a cura não vem. O Novo Testamento fala de sofrimento físico em muitas passagens. E os cristãos não estão isentos dele; pelo contrário, são exortados a suportar os sofrimentos com ânimo e coragem.

“Ele tomou as nossas enfermidades” significa que, durante Sua vida terrena, Jesus tirou as doenças de muitos. Mas não está escrito que Jesus estivesse com AIDS, hepatite ou câncer quando estava dependurado na cruz, como se chega a afirmar.

O que Jesus carregou na cruz
Quando a Bíblia fala da cruz ela nunca diz que Jesus carregou nossas enfermidades, mas o pecado, que Ele tomou sobre Si – que é a causa da enfermidade e da morte. Só em Isaías 53.5, e não no versículo 4, a profecia fala da cruz e do que Jesus carregou na cruz: “Mas ele foi traspassado (na cruz) pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados (das nossas transgressões). Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Is 53.5-6). “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co 5.21).

Nós, seres humanos, somos enganados e marcados por uma postura interior equivocada. Pensamos, agimos e fazemos de conta que a doença é pior do que o pecado. Em geral, a enfermidade é considerada o que existe de pior. É por isso que desejamos “saúde!” uns aos outros ou dizemos que “o mais importante é a saúde”. Mas existe algo que é muito pior do que toda e qualquer doença: o pecado. É o pecado que nos mata, não a doença. O pecado é a causa de todas as doenças, a raiz de todo sofrimento e da morte. É terrível sofrer e morrer de alguma doença, mas imensuravelmente pior é morrer em pecado.


Para que não haja nenhum equívoco, quero deixar bem claro: cremos que Deus faz milagres ainda hoje e cura pessoas; cremos que devemos orar por elas. Mas como em todos os assuntos, a fé na cura deveria estar embasada na Escritura como um todo, para que não sejamos levados pelo engano. (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Perdido dentro da igreja

INTRODUÇÃO
1. Jesus contou três parábolas sobre a alegria do encontro
a) A ovelha perdida que foi encontrada – O pastor chama a todos para se alegrarem.
b) A moeda perdida que foi encontrada – A mulher chama seus vizinhos para se alegrarem.
c) O filho perdido que voltou para casa – O pai oferece uma festa e se alegra. Nessas três parábolas a única pessoa que não está alegria e feliz é o irmão mais velho do pródigo.
2. No meio dessa festa do encontro, do resgate, da salvação há uma voz que destoa
O filho mais velho está triste, porque o Pai recebeu o filho pródigo com alegria.
O filho mais velho está irado, porque o Pai é misericordioso.
O filho mais velho está do lado de fora, enquanto o filho pródigo está dentro da Casa do Pai.
3. O perigo de se estar na Casa do Pai, dentro da Igreja e ainda estar perdido
Esse filho representou os escribas e fariseus que se consideravam santos e desprezavam os outros.
Esse filho representa aqueles que estão dentro da igreja, obedecendo a leis, cumprindo deveres, sem se enveredar pelos antros do pecado, pelos corredores escuros do mundo e ainda assim, estão perdidos.
Ilustração: O jovem rico – criado na sinagoga, cumpria os mandamentos, mas estava perdido.
I. VIVE DENTRO DA IGREJA, MAS DESOBEDECE OS DOIS PRINCIPAIS MANDAMENTOS
Jesus ensinou que os dois principais mandamentos da lei são amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo. Esse filho quebrou esses dois mandamentos: ele nem amou Deus, representado pelo Pai e nem o seu irmão.
Ele não perdoou o Pai por haver recebido o filho pródigo, nem perdoou o irmão pelos seus erros.
Há pessoas que estão na igreja, mas não têm amor por Deus nem pelos perdidos. Estão na igreja, mas não amam os irmãos.
II. VIVE DENTRO DA IGREJA, MAS ESTÁ CONFIADO NA SUA PRÓPRIA JUSTIÇA
Ele era veloz para ver o pecado do seu irmão, mas não enxergava os seus próprios pecados. Ele era cáustico para condenar o irmão, enquanto via-se a si mesmo como o padrão da obediência.
Os fariseus definiam pecado em termos de ações exteriores e não atitudes íntimas. Eles eram orgulhosos de si mesmos. Como o profeta Jonas, esse filho mais velho obedecia ao Pai, mas não de coração. Ele trabalhava com intensidade, mas não por amor.
III. VIVE DENTRO DA IGREJA, MAS NÃO É LIVRE
Ele não vive como livre, mas como escravo. Sua religião é rígida. Ele obedece por medo ou para receber elogios. Faz as coisas certas com a motivação errada. Sua obediência não provém do coração.
Ele anda como um escravo (v. 29). O verbo é douleo = servir como escravo. Ele nunca entendeu o que é ser filho. Nunca usufruiu nem se deleitou no amor do Pai.
Ser crente para ele é um peso, um fardo, uma obrigação pesada. Ele vive sufocado, gemendo como um escravo.
Está na igreja, mas não tem prazer. Obedece, mas não com alegria. Está na Casa do Pai, mas vive como escravo.
IV. VIVE DENTRO DA IGREJA, MAS ESTÁ COM O CORAÇÃO CHEIO DE AMARGURA
1. Complexo de santidade X Rejeita os marginalizados – v. 29,30
Ele estava escorado orgulhosamente em sua religiosidade, arrotando uma santarronice discriminatória. Só ele presta; o pai e o irmão estão debaixo de suas acusações mais veementes.
Sua mágoa começa a vazar. Para ele quem erra não tem chance de se recuperar. No seu vocabulário não tem a palavra perdão. Na sua religião não existe a oportunidade de restauração.
2. Sente-se injustiçado pelo pai
Acusa o pai de ser injusto com ele, só porque perdoou o irmão. Na religião dele não havia espaço para a misericórdia, perdão e restauração.
Ele se achava mais merecedor que o outro. Sua religião estava fundamentada no mérito pessoal e não na graça. É a religião da lei, do legalismo e não graça nem da fé que opera pelo amor.
3. Ele não perdoa nem restaura o relacionamento com o irmão – v. 30
Ele não se refere ao pródigo como irmão, mas diz: “Esse teu filho”.
A Bíblia diz que “quem não ama a seu irmão até agora está nas trevas”.
Ele desconhece o amor. Ele vive mergulhado no ressentimento. Ele vê seu irmão como um rival.
4. O ódio que ele sente pelo irmão não é menos grave que o pecado de dissolução que o pródigo cometeu fora da igreja – Gl 5.19-21
A bíblia fala sobre três pecados na área da imoralidade e usa nove na área de mágoa, ressentimentos, ira.
A falta de amor é um pecado tão grave como o pecado da vida imoral e dissoluta.
5. O ressentimento o isolou do Pai e do irmão
Quando uma pessoa guarda ressentimento no coração pelo irmão que falhou, perde também a comunhão com o Pai.
Ele se recusa a entrar, fica fora da celebração. Mergulha-se num caudal de amargura.
Ele diz para o Pai: “Esse teu filho”. Mas o Pai o corrige e diz-lhe: “Esse teu irmão” (v. 30,31).
V. VIVE DENTRO DA IGREJA, NA PRESENÇA DO PAI, MAS ANDA COMO SOLITÁRIO – V. 31
Ele anda sem alegria, sem amor, sem prazer. Vive na Casa do Pai, mas sente-se escravo. Está na Casa do Pai, mas não tem comunhão com ele.
Quantos estão na igreja, mas nunca sentem o amor de Deus, a alegria da salvação, o prazer de pertencer a Jesus, a doçura do Espírito Santo. Vivem como órfãos: sozinhos, curtindo uma grande solidão e insatisfação dentro da Casa do Pai.
VI. VIVE DENTRO DA IGREJA, MAS NÃO SE SENTE DONO DO QUE É DO PAI – V. 31
1) Ele era rico, mas estava vivendo na miséria. Muitos hoje estão vivendo um cristianismo pobre. Vivem sem alegria, sem banquete, sem festa na alma, trabalhando, servindo, mas sem alegria;
2) Deus tem uma vida abundante – Jo 10.10;
3) Deus tem rios de água viva – Jo 7.38;
4) Deus tem as riquezas insondáveis do evangelho – Ef 3.14
5) Deus tem a suprema grandeza do seu poder – Ef 1.19
6) Deus tem a paz que excede todo o entendimento – Fp 4.7
7) Deus tem alegria indizível e cheia de glória – 1 Pe 1.8
8) Deus tem vida de delícias para a sua alma.
Esse filho não tem nenhum proveito na herança do Pai. Ele nunca fez uma festa. Nunca celebrou com seus amigos. Nem sequer um cabrito, ele comeu. Ele nunca saboreou as riquezas do Pai.
Ele não tem comunhão com o Pai: É como Absalão, está em Jerusalém, mas não pode fazer a face do Rei.
Ele está na igreja por obrigação. Ele não toma posse do que é seu.
Ilustração: o homem que fez um cruzeiro de Navio e levou o seu lanche. Vendo as pessoas comendo os pratos mais deliciosos, guardou dinheiro para comer uma boa refeição no último dia. Só então ficou sabendo que todos aqueles banquetes já estavam incluídos.
CONCLUSÃO
O mesmo Pai que saiu ao encontro do filho pródigo para abraça-lo, sai para conciliar este filho (v. 31).
O remédio para esse filho era o mesmo para o outro: confessar o seu pecado.
Mas ele ficou do lado de fora. Agora perdido dentro da Casa do Pai.

Não fique do lado de fora. Venha e desfrute da festa que Deus preparou!!!
Rev. Hernandes Dias Lopes.

Sofrimento e glória

A vida cristã é temperada com sofrimento, mas caminha para a glória. Cruzamos vales profundos, mas também subimos montes alcantilados. Vertemos lágrimas amargas, mas também experimentamos alegria indizível. Em Romanos 8.18-27 Paulo fala sobre o problema do sofrimento e da dor. Ele contrasta o sofrimento presente com a glória futura. Paulo menciona três gemidos. Fala do gemido das duas criações: a antiga (a natureza) e a nova (a igreja). Elas sofrem juntas e juntas serão glorificadas no final. Vejamos esses três gemidos. 


Em primeiro lugar, os gemidos da criação (Rm 8.18-22). Quando Deus terminou a obra da criação, viu que tudo era muito bom. Mas hoje a criação está gemendo. Há sofrimento e morte. Há dor e gemidos. Há sofrimento (v. 18), vaidade (v. 20), escravidão (v. 21), corrupção (v. 21) e angústia (v. 22). Mas esse gemido da criação não é o gemido de alguém que está morrendo, mas é como o gemido de uma mulher que sofre as dores de parto. Depois do gemido, vem a alegria. A criação geme aguardando a revelação dos filhos de Deus, a gloriosa segunda vinda de Cristo. Nós vamos participar da glória de Cristo e a natureza vai participar da nossa glória. Aqui pisamos uma estrada juncada de espinhos. Aqui, as pedras ferem nossos pés. Aqui a natureza sujeita ao pecado conspira contra nós. Aqui a dor fuzila nosso corpo e a angústia oprime a nossa alma. Aqui as lágrimas inundam nossos olhos e a tristeza entrincheira a nossa vida. Porém, em breve, essa mesma criação que geme, será restaurada e participará da glória dos filhos de Deus, quando Cristo vier em sua glória.


Em segundo lugar, os gemidos da igreja (Rm 8.23-25). Nós gememos por causa da fraqueza do nosso corpo e por causa da presença do pecado em nosso ser. Nós gememos porque embora já fomos libertos da condenação do pecado (na justificação), e estamos sendo libertos do poder do pecado (na santificação) ainda não fomos libertos da presença do pecado (na glorificação). Nós gememos porque já experimentamos as primícias do Espírito e já sentimos o gosto da glória por vir. O Espírito em nós é mais do que uma garantia da glória, é antegozo dela. Nós gememos porque antevemos o gozo do céu e desejamos ardentemente ser revestidos de um corpo de glória e chegar logo em nossa Pátria, em nosso lar, o céu. Nós gememos, porque o melhor está ainda por vir. Nós gememos aguardando esse dia. Os gemidos da igreja também não são gemidos de desespero ou pavor, mas gemidos de expectativa. Aguardamos na ponta dos pés esse glorioso dia, quando Jesus virá com grande poder e glória para estarmos para sempre com ele. 



Em terceiro lugar, os gemidos do Espírito Santo (Rm 8.26,27). Não apenas a criação e a igreja estão gemendo, mas também o Espírito Santo está gemendo. Isso significa que a despeito das nossas fraquezas, o Espírito Santo não nos escorraça. Ao contrário, nos assiste. O Espírito Santo é o Deus que habita em nós e intercede por nós, em nós, ao Deus que está sobre nós. E intercede de três formas: Primeiro, intensamente (v. 26). Ele intercede por nós "sobremaneira". O Espírito Santo emprega todos os seus atributos nessa oração intercessória.


Segundo, agonicamente (v. 26), ou seja, com gemidos inexprimíveis. Mesmo sendo Deus e conhecendo todas as línguas dos homens e dos anjos, não encontra sequer uma língua para articular a sua intensa e agônica oração, então geme. Terceiro, eficazmente (v. 27), ou seja, ele intercede segundo a vontade de Deus. Toda a intercessão do Espírito Santo em nós, por nós, ao Deus que está sobre nós, está alinhada com a vontade de Deus. Ele não desperdiça sequer uma intercessão em nosso favor. Por isso, temos a garantia de que mesmo cruzando aqui os vales mais escuros, estamos a caminho do céu, pois aqueles que foram salvos pela graça, desfrutarão da glória eterna!
Rev. Hernandes Dias Lopes

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O melhor ainda estar por vir...

No terceiro céu está à pátria celestial, o destino final de todos os filhos de Deus. Com ajuda do último livro da Bíblia, o Apocalipse, participe comigo de uma visita guiada pelo templo celestial, a “casa do Pai”.

Você já esteve no terceiro céu? A Bíblia fala de vários céus, a começar pela atmosfera, que vemos como céu azul. O segundo céu é o cosmo, o espaço sideral, o céu astral. Durante a inauguração do templo de Salomão, o sábio rei disse: “Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que o céu, e até o céu dos céus, não te podem conter; quanto menos esta casa que edifiquei!” (1Re 8.27). Aqui se faz diferenciação entre os céus (em hebraico: shamayim)e o céu dos céus (em hebraico: shemey hashamayim). O céu azul e o espaço sideral não podem conter a Deus. Deus está presente em toda a criação, sendo, portanto, imanente, mas também é transcendente, pois o mundo presente não pode contê-lO.

A Bíblia ainda conhece um terceiro céu. Em 2 Coríntios 12.2-4, Paulo explica que foi arrebatado ao Paraíso, também chamado por ele de “terceiro céu”. Muitos já estiveram no primeiro céu, mas provavelmente nenhum dos leitores esteve no segundo. Essa possibilidade é muito recente na história da humanidade. Em 1961, o cosmonauta russo Yuri Gagarin foi o primeiro ser humano a chegar ao segundo céu, a bordo da “Vostok I”. Depois da sua volta, ele relatou: “Estive no céu, mas não vi a Deus”. Nem poderia, pois ele esteve apenas no segundo céu. A moradia de Deus é no terceiro céu; e, aliás, como alguém poderia vê-lO com o coração impuro? No Sermão do Monte, o Senhor Jesus disse: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” (Mt 5.8). Esse é um problema para todos nós, pois temos corações impuros. Por isso, por natureza não temos direito ao terceiro céu.

A pátria celestial

A Bíblia fala sobre a Jerusalém celestial, o Monte Sião e a pátria celestial: “Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é nossa mãe” (Gl 4.26). Fala-se aqui de uma cidade real no terceiro céu. Hebreus 11.10 diz sobre Abraão: “...porque esperava a cidade que tem os fundamentos, da qual o arquiteto e edificador é Deus”. No versículo 16, o autor fala dos patriarcas: “Mas agora desejam uma pátria melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de ser chamado seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade”.Temos aqui o segundo termo: a pátria melhor, a pátria celestial. Em Hebreus 12.22, o autor da carta aos judeus crentes diz: “...mas tendes chegado ao Monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, a miríades de anjos”. Este Monte Sião celestial, a Jerusalém celestial, tem grande significado para o cristianismo. A carta aos Hebreus dirige-se a cristãos judeus, mas também o Apocalipse fala da “nova Jerusalém” (no capítulo 21) como uma descrição simbólica da Igreja de Deus. Em Apocalipse 21.2,9ss. é explicado ao apóstolo João que a nova Jerusalém é a noiva do Cordeiro, a Igreja de Jesus. Mas a “Jerusalém celestial”, de que falam as cartas aos Gálatas e aos Hebreus, é uma cidade real no céu, um símbolo da Igreja. Por isso, a descrição da nova Jerusalém no Apocalipse não tem um significado puramente simbólico. O arquétipo da Igreja como a nova Jerusalém é essa cidade celestial. A descrição simbólica no Apocalipse está relacionada à construção concreta da nova Jerusalém.

O templo no céu

Em Apocalipse 11.19 a Bíblia fala explicitamente de um templo no céu: “Abriu-se o santuário de Deus que está no céu...”. No Seu discurso de despedida, na véspera da crucificação, o Senhor Jesus chamou esse templo celestial de “casa do meu Pai” (Jo 14.2). A expressão aparece mais uma vez na Bíblia, em João 2. Mas ali o Senhor Jesus trata do templo em Jerusalém. Em João 14, a expressão refere-se a uma realidade celestial, o templo no céu como arquétipo da construção na terra. O templo em Jerusalém era uma cópia terrena, e a Igreja de Jesus é, finalmente, o cumprimento do símbolo. Isso vale tanto para o templo quanto para a cidade. O Senhor Jesus fala a respeito em João 14.2-3: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”. Essas moradas na casa do Pai estão no templo celestial, pois são, de certa forma, moradas de sacerdotes, que no templo em Jerusalém ficavam abrigados junto à “Casa da Lareira”, bem próxima do Santo dos Santos.

Em Apocalipse 6.9-11, os mortos por causa da Palavra estão junto ao altar no céu. Entendemos que as almas dos mortos estão no templo celestial, e assim é possível compreender muito melhor algumas coisas. Em Lucas 23, Jesus diz ao ladrão na cruz: “Hoje estarás comigo no paraíso”. Onde era esse paraíso? No terceiro céu, no local do templo celestial, da cidade celestial e da pátria celestial. Qual é o livro que nos dá as melhores informações sobre o céu? Em nenhum outro encontramos tantas quanto no último livro da Bíblia. Por quê? O Apocalipse nos mostra para onde estamos indo. O primeiro livro da Bíblia (Gênesis) nos mostra de onde viemos, e o último, para onde vamos. Nunca conseguiríamos descobrir isso por nós mesmos. Não há métodos científicos que nos ajudem a descobrir como o mundo se formou. Não temos como voltar ao início. Também não há métodos que nos permitam ir para o futuro, a fim de vermos o que está pela frente. Precisamos da revelação divina sobre essas questões básicas.

Uma visita ao templo celestial

Em Apocalipse 4.1, João vê primeiro uma porta aberta no céu. Essa porta não estava se abrindo naquele momento, ela já estava aberta. Em Ezequiel 1, o profeta vê o céu se abrindo diante de seus olhos. São duas situações diferentes. No Apocalipse, o céu já está aberto, pois estamos na época depois do Gólgota: “O céu está aberto, coração, sabes por quê? Porque Jesus lutou e sangrou – por isto!”

João entrou no céu e ouviu uma voz como de trombeta, ou seja, de um shofar, que também será ouvida por ocasião do Arrebatamento (veja 1Ts 4), quando o Senhor descerá com a trombeta de Deus.

Lidamos com um céu aberto! Quando João entra no céu, ele vê o Cordeiro de Deus:“Nisto vi, entre o trono e os quatro seres viventes, no meio dos anciãos, um Cordeiro em pé, como havendo sido morto” (Ap 5.6).Só que esse Cordeiro imolado está vivo. É o Senhor Jesus no céu, e nós ainda veremos as marcas da cruz nEle – no Seu lado, em Suas mãos e em Seus pés. Mas o contexto é grandioso – o céu aberto e o Cordeiro que foi morto! No Talmude Babilônico o tratado Tamid 30b fala sobre a abertura matutina da porta de Nicanor. Essa majestosa porta, que levava do átrio das mulheres ao acampamento da Shekinah (a glória de Deus), era tão pesada que só podia ser aberta pelo esforço conjunto de vários sacerdotes. Essa porta abria-se no momento em que o sacrifício matinal era imolado por volta das seis horas. Também o acesso ao céu só é possível porque o Senhor Jesus, o Cordeiro de Deus, foi morto por nós. João entrou no céu e ouviu uma voz como de trombeta, ou seja, de um shofar, que também será ouvida por ocasião do Arrebatamento (veja 1Ts 4), quando o Senhor descerá com a trombeta de Deus. De acordo com 1 Coríntios 15.51ss., essa é a última trombeta. O exército romano tinha três trombetas. A primeira significava: “Levantar acampamento!” A segunda trombeta comandava: “Em forma!” A terceira e última trombeta era o sinal para marchar. A voz como de trombeta que João escutou dizia: “Sobe aqui”, e ela corresponde ao chamado do Arrebatamento, da última trombeta. O sinal para a marcha não está relacionado às sete trombetas do juízo, que só soarão mais tarde.

O altar do holocausto e seu serviço

O apóstolo João entrou diretamente no Santo dos Santos, o coração do céu. Mas faremos nossa viagem pela ordem, começando no átrio dos sacerdotes, o “acampamento da Shekinah”, como diz a literatura rabínica. É lá que está o altar do holocausto: “Quando [o Cordeiro] abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que deram. E clamaram com grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano, santo e verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um deles compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda por um pouco de tempo, até que se completasse o número de seus conservos, que haviam de ser mortos, como também eles o foram” (Ap 6.9-11). João vê no céu o Cordeiro de Deus, que é digno de abrir o Livro de Deus, selado com sete selos.

Não devemos nos esquecer que os acontecimentos no céu acontecem simultaneamente com o terrível juízo futuro sobre o mundo. O Apocalipse descreve a guerra do templo celestial contra uma humanidade afundada no pântano do pecado. Esse livro bíblico relata uma guerra de Deus contra o mal, a guerra do santuário celestial contra a humanidade que rejeitou o sacrifício de Cristo. O templo no céu é essencialmente o local da reconciliação e do sacrifício vicário. Mas quando a humanidade rejeita esse sacrifício, vem o juízo, e assim tudo no céu que se refere a salvação e reconciliação se transformará em maldição para os habitantes da terra.
Lemos que João viu o altar do holocausto no céu, e as almas ao pé dele. O sangue é a essência da vida, pois Levítico 17.14 diz: “Porque a vida da carne está no sangue”. Na época do Segundo Templo, o sangue dos animais sacrificados era derramado ao pé do altar, para dentro de duas cavidades especiais, que ficavam perto do canto sudoeste. É justamente nesse ponto que João vê as almas dos mortos – no local para onde corria o sangue dos holocaustos. Essas almas estão plenamente conscientes, apesar de se tratar de mártires no céu. Elas podem falar, e falam de vingança. É óbvio que já estamos na época posterior ao Arrebatamento. Hoje ainda vivemos na época da graça, mas depois do Arrebatamento vem a época do juízo, e então esses mártires exigirão vingança. João vê-os junto ao altar, e eles recebem vestimentas sacerdotais, porque ainda precisam esperar algum tempo. Essas almas são de pessoas que, depois do Arrebatamento, estavam dispostas a entregar tudo em favor do Senhor Jesus, inclusive de sofrer o martírio. Mas o que esses fatos celestiais têm para nos ensinar? O altar mostra que o Senhor Jesus entregou tudo por nós. As almas ao pé do altar são, portanto, as pessoas que dizem: “Se nosso Redentor pode dar tudo, nós também estamos dispostos a entregar tudo”. Mesmo que sejamos poupados do martírio, deveria valer para nós o lema de 2 Coríntios 5: “Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (vv.14-15). Não vivemos mais para nós mesmos, mas para Cristo! O altar no céu demonstra que o Senhor Jesus se dispôs a entregar tudo em sacrifício.

No fim das contas, o judaísmo é totalmente “cristão”, já que o seu templo é uma cópia do original do céu, o lar dos cristãos (Fp 3.20).

O Apocalipse também menciona sete taças de ouro em conexão com o altar. Tratam-se dos cálices usados no templo durante os sacrifícios. Esses cálices terminavam em forma de ponta na parte inferior, pois os sacerdotes não podiam depositá-los em lugar nenhum. Eles tinham de coletar o sangue nas taças e levá-lo ao altar. Esse sangue não podia ser depositado, e por isso as taças tinham este formato peculiar. Mas o que acontece em Apocalipse 16 em relação a essas sete taças? “O segundo anjo derramou a sua taça no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu todo ser vivente que estava no mar. O terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue” (vv.3-4). As taças do sacrifício, que na verdade tratavam de reconciliação, transformam-se em juízo para o mundo! Vale aqui novamente o princípio: quando alguém não aceita, ou até mesmo rejeita o sacrifício de Jesus, só resta a essa pessoa tornar-se ela mesma um holocausto.

Quando o Apocalipse fala das sete trombetas, a linguagem usada também estabelece uma relação com o altar, pois diariamente eram tocadas sete trombetas durante os holocaustos matutinos e vespertinos. Isso também é relatado no Talmude Babilônico, no tratado Sucá 53b. As sete trombetas estão ligadas ao sacrifício vicário no templo, mas no Apocalipse tornam-se sinais do juízo para aqueles que não quiseram aceitar esse sacrifício. Quando lemos os textos do Apocalipse sob esse ângulo, obtemos um perfil bem diferente. Em última instância, vemos que o Apocalipse é um “livro do templo”, já que o templo caracteriza o céu. Disso também podemos concluir que o céu é muito “judaico”. Provavelmente, esse fato surpreenderá muitos cristãos na sua chegada ao céu. Mas também podemos dizê-lo de outra forma: no fim das contas, o judaísmo é totalmente “cristão”, já que o seu templo é uma cópia do original do céu, o lar dos cristãos (Fp 3.20).

A pia e o canto dos levitas

Em nossa caminhada pelo terceiro céu chegamos agora à pia: “E vi como que um mar de vidro misturado com fogo; e os que tinham vencido a besta e a sua imagem e o número do seu nome estavam em pé junto ao mar de vidro, e tinham harpas de Deus. E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, ó Senhor Deus Todo-Poderoso; justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos séculos. Quem não te temerá, Senhor, e não glorificará o teu nome? Pois só tu és santo; por isso todas as nações virão e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos” (Ap 15.2-4). Não existe oceano no templo celestial. Em 1 Reis 7.23, a palavra “mar” designa o “mar de bronze”, a grande pia no átrio do templo. O hebraico rabínico usa essa expressão também para um recipiente coletor, por exemplo, para farinha. Aqui o mar designa a pia. Mas por que se fala de um “mar de vidro, misturado com fogo”? Tanto no tabernáculo quanto no Templo de Salomão a pia era de bronze, uma liga de cobre. Quando o bronze era especialmente bem trabalhado, ele ficava parecido com um espelho. Na época de Moisés as mulheres entregaram seus espelhos de bronze para que a pia fosse confeccionada a partir deles (Êx 38.8). O arquétipo celestial dessa pia é tão perfeito que parece de vidro. “Misturado com fogo” – o que significa isso? Quando a luz celestial é refletida no bronze finamente trabalhado dessa pia, surge um jogo de luzes e sombras que lembra labaredas de fogo.

Junto à pia diante do templo João vê Aquele que derrotou a besta, o ditador vindouro, a sua imagem e o número do seu nome, isto é, a idolatria na qual a humanidade será jogada pelo Anticristo. Depois do Arrebatamento, quando o Anticristo instituir um novo sistema financeiro, todos os habitantes da terra receberão um código aplicado em sua mão direita ou na fronte. O número 666, oculto no código, expressará o seguinte: “Estou disposto a honrar este ditador, a besta que saiu do mar, como deus”. Aqueles que não o aceitarem não receberão o código. Mas naquela época não haverá mais dinheiro vivo, e só será possível fazer pagamentos por meio do código. O que acontecerá quando alguém não puder mais comprar ou vender? O que fazer? Orar! A situação ficará muito precária, e a única oração possível será: “O pão de cada dia nos dá hoje”. O que significa essa oração para nós atualmente, se já temos na geladeira provisões para as próximas duas semanas? A situação das pessoas depois do Arrebatamento será tão precária que essa oração adquirirá um novo significado. Aliás, a palavra “precário” deriva do verbo em latim “precari”, donde vem a palavra “prece”*. As pessoas junto à pia no átrio do templo celestial chegam ao céu vindas de uma situação precária, isto é, do martírio. Elas trazem as harpas de Deus, apresentando-se assim como músicos e cantores levitas e entoando o cântico de Moisés e do Cordeiro. O apóstolo João entendeu imediatamente o significado. Encontramos o cântico do Cordeiro em Êxodo 15. Trata-se do cântico que os israelitas entoaram depois da primeira ceia da Páscoa e da saída do Egito, durante a passagem pelo mar. O cântico de Moisés está em Deuteronômio 32.4:“Ele é a Rocha; suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são justos; Deus é fiel e sem iniquidade; justo e reto é ele”. Por isso, os vencedores cantam no céu: “Grandes e admiráveis são as tuas obras, ó Senhor Deus Todo-Poderoso; justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos séculos”. Na época do Segundo templo, esse cântico de Moisés era entoado no momento do sacrifício vespertino do sábado, enquanto o cântico do Cordeiro era entoado no sacrifício adicional no sábado de manhã. É o que relata o Talmude babilônico, no tratado Rosh Hashaná 31a. João entendeu imediatamente: no céu vigora o sábado, ou o descanso sabático. Isso não deveria nos surpreender, pois em Hebreus 4.9 lemos: “Portanto resta ainda um repouso sabático para o povo de Deus”. Os vencedores entraram no descanso celestial! Mas o que é esse descanso no céu? Não se trata de passividade, mas de descanso da pressão da tentação e da sedução. Os vencedores também não estão passivos, mas tocam harpas. No Antigo Testamento havia dois tipos desse instrumento. Um era o nevel, o outro, o kinnor. O Novo Testamento traz apenas um termo, a palavra gregakithara, da qual deriva a nossa “guitarra”. Essas pessoas no céu tocarão harpas e cantarão. Concluímos daí que no céu não haverá passividade, mas atividade que se desenrola no repouso de Deus.

Se quisermos ser vencedores, precisamos arrumar a nossa vida diariamente à luz da Bíblia.
Por que João vê esses cantores junto ao mar de vidro? A água servia para a limpeza das mãos e dos pés dos sacerdotes. Efésios 5.25 explica que a Palavra de Deus tem efeito purificador, como a água. Como os crentes também são sacerdotes, eles precisam purificar-se diariamente pela leitura da Bíblia. Se analisarmos a pia, e por extensão a Bíblia, vemos que ela age como um espelho, pois nos mostra tudo o que não está certo em nossa vida (Tg 1.23-25). Por isso os leitores da Bíblia são, em geral, pessoas corajosas, pois estão dispostas a olhar no espelho da Palavra de Deus. Quando temos consciência do que não está certo em nossa vida, esse reconhecimento deve sempre nos levar à auto-avaliação:“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). Precisamos aplicar essa auto-avaliação de forma constante (veja 1Co 11.28-31), assim como os sacerdotes da Antiga Aliança lavavam regularmente os pés e as mãos. As mãos falam daquilo que fazemos, e os pés, dos lugares aonde vamos. Quando vivemos neste auto-escrutínio diário e não permitimos que as injustiças se acumulem na nossa vida, isso nos protegerá contra pecados mais graves. Todos nós temos naturezas pervertidas e somos capazes de cometer qualquer tipo de pecado. Ficaremos protegidos se consertarmos diariamente diante de Deus aquelas coisas que reconhecemos como pecado. Em geral, os pecados graves resultam de um longo caminho, e não deveríamos deixar que chegue esse ponto. Mas vamos nos questionar: como os vencedores junto ao mar de vidro terão sobrevivido à pressão da sedução? É muito simples, pois essas pessoas vão se sujeitar ao auto-escrutínio diário. Também é digno de nota que seu cântico não traz nenhum traço de amargura, apesar das tribulações que enfrentarão. Isso só é possível por meio da comunhão viva com o Senhor no dia-a-dia. O mar de vidro também nos ensina algo prático para a nossa vida como cristãos: se quisermos ser vencedores, precisamos arrumar a nossa vida diariamente à luz da Bíblia.

No Lugar Santo

Em nossa viagem pelo terceiro céu continuamos agora em direção ao candelabro de sete braços, entrando em pensamentos no Lugar Santo, o templo em si: “E do trono saíam relâmpagos, e vozes, e trovões; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus” (Ap 4.5). Sete lâmpadas brilham diante do trono no santuário – são as sete chamas do candelabro de ouro, a menorá. O texto explica aqui que as chamas são os sete espíritos de Deus. Talvez você pense: “Mas só existe um Espírito de Deus”. Afinal, é o que diz Efésios 4: há “um só Espírito”. Mas no Apocalipse o Espírito Santo, o único, é representado em toda a sua perfeita multiplicidade. O Espírito, que Isaías 11.2 diz repousar sobre o Messias, é descrito da seguinte forma: “E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor”. São sete nomes que representam o Único Espírito em toda a perfeição e multiplicidade da sua ação. O Espírito Santo inspirou maravilhosamente esse versículo no texto original. Primeiro é citado um nome mais geral, o Espírito do Senhor. Seguem-se duplas de nomes ligados pela palavra “e”. Isso corresponde à aparência do candelabro de sete braços: uma chama principal no centro, ladeada por três pares de braços. No texto acima, esses braços são representados com a descrição “o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor”.

Quando vemos as sete chamas no santuário, somos lembrados do Espírito de Deus que nos conduziu neste mundo. O espírito da sabedoria: numerosas vezes sentimos que nos faltava sabedoria, mas o espírito da sabedoria sempre a providenciava para nós. O espírito de entendimento: algumas pessoas acham que entendimento e fé são mutuamente excludentes, mas o Espírito Santo é o espírito do entendimento! Os pensamentos dos seres humanos estão obscurecidos por Satanás (veja 2Co 4.3ss.), mas o Espírito Santo ilumina nosso entendimento. Ele não anula nosso espírito de forma que desfaleçamos. Isso não é ação do Espírito de Deus, o espírito de sabedoria e entendimento. O espírito de conselho e de fortaleza: muitas vezes não soubemos tomar uma decisão. Mas o Espírito de Deus nos aconselha. Sentimo-nos fracos, mas o Espírito de Deus nos dá força. Não entendemos a Bíblia, mas o Espírito de conhecimento nos dá compreensão. Não sabíamos quem é Deus, mas o espírito de temor do Senhor colocou em nosso coração uma profunda percepção da grandeza e da majestade de Deus.

O altar do incenso

Em pensamentos dirigimo-nos agora para o dourado altar do incenso. “Veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para que o oferecesse com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que está diante do trono. E da mão do anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos. Depois o anjo tomou o incensário, encheu-o do fogo do altar e o lançou sobre a terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e terremoto” (Ap 8.3-5). Aqui vemos um sacerdote executando seu serviço no altar celestial. No Apocalipse há quatro textos em que o Senhor Jesus é chamado de “outro anjo”. A palavra grega angelos significa “mensageiro”. Pode ser um homem ou um anjo, mas também o Filho de Deus, o Enviado do Pai, assim como no Antigo Testamento “o anjo do Senhor” (mal’akh adonai) era o próprio Deus, o Filho de Deus. O “outro anjo” é citado pela primeira em Apocalipse 7, mas ainda sem revelar ao certo de quem se trata. No capítulo 8 descobrimos que se trata de um sacerdote. No capítulo 10 ele coloca Seus pés sobre a terra e sobre o mar, demonstrando assim o Seu direito ao mundo, pois, afinal, ele é o Rei. Em Apocalipse 18 Ele anuncia a queda da Babilônia, e toda a terra é iluminada pela glória desse mensageiro. Nesse texto ele é um profeta. Jesus é tudo para nós: Rei, Sacerdote e Profeta.
Como nosso Sumo Sacerdote, o Senhor Jesus está junto do altar do incenso. Ele dá poder às orações dos santos na terra. Pouco antes foi aberto o sétimo selo, dando início à Grande Tribulação. Em Mateus 24, Jesus diz aos judeus crentes: “que a fuga não aconteça num sábado”. As pessoas descobrirão o real significado da oração, pois agora sabem que chegou a hora. Durante meia hora há silêncio no céu (veja Ap 8.1), e então o Sumo Sacerdote dá poder às orações. Ele toma o incensário, um vaso de ouro com um suporte, uma tampa e um anel. Dentro dele há incenso, essa maravilhosa mistura de componentes botânicos aromáticos. No Antigo Testamento o sacerdote junto ao altar de ouro pegava incenso do incensário com os dois polegares e deixava-o cair sobre o carvão em brasa do altar. A fumaça gerada dessa forma subia em linha reta. Esse incenso aromático expressa a múltipla glória da pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo. Dessa forma, Ele adiciona sua glória pessoal às orações dos santos, dando-lhes peso diante de Deus. Só então é possível falar de oração em nome de Jesus, que precisa acontecer em concordância com a vontade do Filho de Deus (Jo 14.13-14). Essas orações chegam a Deus como se o seu próprio Filho as dissesse.

O Senhor Jesus dá a essas orações, que concordam com a Sua vontade, toda a glória da Sua pessoa, e assim elas chegam diante de Deus. Se tivermos a impressão de que nossas orações não estão passando do teto do quarto, podemos ter esta certeza: se orarmos de acordo com a vontade de Deus, revelada na Bíblia, é claro que essas orações serão atendidas. Apocalipse 9.13 menciona explicitamente os quatro chifres no altar de ouro no céu. Chifres são um símbolo de força e poder; os quatro chifres no altar pretendem deixar claro que a oração em nome de Jesus tem grande poder e efeito, e isso em todo mundo. Por isso os chifres também apontam para os quatro pontos cardeais. Dessa cena no céu aprendemos que a oração realmente tem efeito. Muitos pensam: “Na verdade, Deus acaba fazendo o que Ele quer, de qualquer forma. Qual é, então, a utilidade das nossas orações?” Mas em Tiago 4.2 está escrito: “Nada tendes, porque não pedis”. Por um lado, há coisas que Deus não faria se Seus filhos não pedissem por elas. Por outro lado, há coisas que Deus faz, quer peçamos, quer não peçamos por elas. Afinal, Deus é soberano. Mas também há coisas que Deus não faz se nós não pedirmos por elas.

O melhor ainda virá: no Santo dos Santos

O primeiro mandamento é: “Não terás outros deuses diante de mim”. É a condenação de todas as religiões do mundo!

Guardei para o fim o destino mais belo da nossa viagem pelo céu. Por isso, em pensamentos entramos agora no Santo dos Santos. “Imediatamente fui arrebatado em espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono; e aquele que estava assentado era, na aparência, semelhante a uma pedra de jaspe e sárdio; e havia ao redor do trono um arco-íris semelhante, na aparência, à esmeralda. Havia também ao redor do trono vinte e quatro tronos; e sobre os tronos vi assentados vinte e quatro anciãos, vestidos de branco, que tinham nas suas cabeças coroas de ouro... também havia diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal; e ao redor do trono, um ao meio de cada lado, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás; e o primeiro ser era semelhante a um leão; o segundo ser, semelhante a um touro; tinha o terceiro ser o rosto como de homem; e o quarto ser era semelhante a uma águia voando” (Ap 4.2-4,6-7). Do que é feito o trono de Deus? De acordo com o Salmo 132.7-8, a Arca da Aliança é o apoio dos pés de Deus. Em Apocalipse 11.9 a Arca da Aliança é expressamente mencionada no céu. No Antigo Testamento havia dois querubins sobre a tampa da arca. Esses seres são descritos em detalhes em Ezequiel 1.8-11. Trata-se de anjos com rostos de leão, boi, homem e águia. No texto do Apocalipse que acabamos de citar os quatro seres viventes são querubins no Santo dos Santos. É verdade que sobre a Arca em si havia só dois querubins, mas durante a construção do templo Salomão mandou fazer mais duas figuras de querubins revestidas de ouro (1Re 6.23-28). Portanto, havia ao todo quatro desses seres viventes em torno do trono de Deus. A Arca da Aliança é, assim, o apoio dos pés de Deus, e Ele está entronizado entre os querubins. Por isso, o Salmo 80.2 diz: “...tu, que estás entronizado sobre os querubins, resplandece”. O trono de Deus é citado 37 vezes no Apocalipse, mais do que em qualquer outro livro da Bíblia. Justamente o livro que mostra como o mundo será abalado pelas maiores catástrofes, de modo que poderíamos pensar que Deus perdeu o controle, nos mostra: Deus ainda está seguindo Seu plano, e tudo Lhe está sujeito! A lembrança do trono de Deus nos dá grande segurança: o que quer que aconteça em nossa vida, o trono de Deus é inabalável. A Arca é o local da reconciliação. Originalmente a Arca era local de juízo, pois dentro dela estavam os Dez Mandamentos. O primeiro mandamento é: “Não terás outros deuses diante de mim”. É a condenação de todas as religiões do mundo! A Arca da Aliança como parte do trono de Deus condena a humanidade, mas também era o local onde o sumo sacerdote aspergia o sangue. Por isso, ela também fala de reconciliação. Quando chegarmos ao céu e virmos o trono de Deus, teremos a certeza de ter sido aceitos com base no sangue de Jesus. O véu foi rasgado, como aconteceu com a sua cópia terrena (veja Mt 27.51), abrindo-nos assim o acesso ao Santo dos Santos. Em Hebreus 10.19 somos convidados a entrar. Hoje só podemos nos colocar na presença de Deus em pensamento, mas virá o dia em que entraremos de fato no Santo dos Santos, pois lá é o nosso lar. Então experimentaremos o que agora antecipamos em pensamento, pois o melhor ainda virá!(Roger Liebi - http://www.chamada.com.br)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Como reconhecer aqueles que realmente crêem no Senhor?

A maioria das pessoas pensa que temer a Deus é ter medo dele. Entretanto, biblicamente falando, temor não é medo. Se assim fosse, o temor a Deus não seria a causa de grande prazer para o justo, pois o medo não traz prazer, alegria, felicidade; traz inquietação ante a percepção de um perigo real ou imaginário, de uma ameaça.

Logo, temer a Deus não é ter medo de Deus, como se Ele fosse um Ser iracundo, perverso, que está sempre pronto a exercer o juízo, e nunca misericórdia; um Ser implacável que, ao primeiro erro, lança o homem no inferno. Esse não é o Deus justo, amoroso, bondoso e misericordioso revelado na Bíblia.

Ele ama a justiça e o juízo, a terra está cheia da bondade do Senhor (Salmo 33.5). Sendo assim, o medo não é adequado em relação a Ele, nem é comum a quem o conhece bem. Quando o cristão verdadeiramente confia e crê no Senhor, ele demonstra que tem temor a Deus.

Então, o que é temer ao Senhor? É reconhecê-lo como o Deus único, verdadeiro, Criador e Senhor absoluto sobre tudo e todos. É ter a consciência de que a nossa vida e tudo quanto existe depende daquele que vive e reina para sempre, que Ele tem o controle sobre tudo. Tema toda a terra ao Senhor; temam-no todos os moradores do mundo. Porque falou, e foi feito; mandou, e logo apareceu (Salmo 33.8,9). Também implica obediência total a Deus, confiança absoluta no Seu infindo amor (Provérbios 14.26) e aversão às coisas que Ele condena: o mal, a soberba, e a arrogância, e o mau caminho, e a boca perversa (Provérbios 8.13). Devido à Sua natureza santa, Deus abomina o pecado.

E como reconhecer se uma pessoa é ou não temente a Deus? Pelas palavras, escolhas e atitudes dela. Veja o que Jesus disse em Mateus 7.15-21. Uma pessoa que teme a Deus e reconhece a soberania do Senhor aparta-se do mal, busca o bem, promove a paz e tem sabedoria, alegria, vida, porque guarda os mandamentos divinos e submete-se à orientação e vontade dele, sendo bem-aventurada, bem-sucedida em tudo, recebendo do Senhor sabedoria, cuidado, vida e provisão (Provérbios 10.27; 14.27; 15.33).

A Palavra de Deus nos exorta: Temei ao Senhor, vós os seus santos, pois não têm falta alguma aqueles que o temem (Salmo 34.9).
Busque a Deus e cultive o temor ao Senhor. Fazendo isto, você será abençoado. Será uma pessoa próspera na terra e herdará as riquezas eternas, será iluminada pelo Espírito e aprenderá a ser piedosa, misericordiosa e justa. E, ainda que atravesse momentos de escassez e necessidade, com fé, determinação e confiança no Senhor, haverá de vencer e regozijar-se por sua salvação em Cristo Jesus.

Fonte: Pr. Silas Malafaia